Entrevista com Luciano Pires

1. Quem é Luciano Pires?

Sou um cartunista, que tem sangue de jornalista, que estudou comunicação e trabalho desde 1982 na área de Marketing.

Atualmente sou Diretor de Comunicação Corporativa da Dana, um dos maiores fabricantes de componentes automotivos do mundo.

2. De onde veio a idéia de escrever um livro?

Eu sempre escrevi. No final da década de 70 e início de 80, eu mantive uma coluna chamada VÍRGULA no JORNAL DA CIDADE de Bauru. Lá desenvolvi as técnicas de escrita e o meu estilo, ao mesmo tempo em que ilustrava os artigos.

Na verdade, este é o meu quarto livro. Os dois primeiros, NINHAL e LENDAS BRASILEIRAS, escrevi dentro de um programa cultural da Dana, produzindo livros que foram depois distribuídos a clientes e pouco chegaram ao circuito comercial.

Em 2002 , lancei O MEU EVEREST, em que conto minha experiência de caminhar por 200 quilômetros em abril de 2001 até o campo base do Everest, no Nepal.

Quando voltei da viagem, resolvi voltar a escrever minhas crônicas, e passei a publicá-las pela internet, para gente que se interessava. E a coisa acabou pegando, pois toda sexta coloco um texto novo no ar, que tem sido reproduzido em 13 sites ( entre eles o Megabrasil ), jornais, revistas e rádio.

BRASILEIROS POCOTÓ é uma reunião de vários desses textos, alguns inéditos, que foram revistos, ampliados e ilustrados, compondo um painel de reflexão sobre a mediocridade dos brasileiros.

3. De onde surgiu esse nome, BRASILEIROS POCOTÓ?

Foi a partir da fatídica música. Depois da exibição em rede nacional do fenômeno Pocotó, escrevi um texto que parece que reuniu tudo que muita gente queria dizer. Esse texto espalhou-se pela internet de forma impressionante e entupiu minha caixa postal. Dali em diante passei a usar o Pocotó como se fosse um adjetivo que designa a mediocridade.

Na verdade, ao adotar o Pocotó como sinônimo de mediocridade, não estou me referindo exclusivamente à música que originou o nome - Eguinha Pocotó - mas a todo um sistema que se auto manipula em busca de ganhos fáceis, deixando de lado os valores que representam a cultura do país.

4. O que o leitor pode esperar de seu livro?

Várias reflexões sobre situação cotidianas, escritas por alguém que é igual ao leitor. Não tenho títulos acadêmicos, não sou cientista ou estudioso, sou apenas um brasileiro que não se conforma com algumas barbaridades que acontecem todo dia. Como cartunista, talvez eu tenha uma visão irreverente e bem humorada dos problemas sérios, o que permite abordá-los de forma simples e direta.

O leitor vai encontrar nos meus textos humor, indignação, preconceito, erros de conceitos, simplificação, ignorância, enfim, todos os atributos que constroem um brasileiro normal.

5. Quem fez as ilustrações do livro?

As ilustrações do miolo fui eu mesmo, que faço cartuns desde que nasci. Ganhei por duas vezes o Salão de Humor de Piracicaba e esse meu lado andava adormecido. Mas foi estimulante voltar a "cartunar".

O interessante é que não me senti confortável em fazer o cartum da capa. Convidei para isso um cartunista que é um dos mais talentosos em atividade no Brasil: o MOA, de Porto Alegre. E ele "matou a pau", criando uma ilustração maravilhosa que resume muito bem o espírito do livro.

6. Você é especialmente crítico com a mídia, batendo bastante na TV. Fale a respeito.

Não critico a mídia pela função que ela exerce. Num de meus artigos, inclusive, digo que se o problema do Brasil é a mídia, a solução também é. Acredito que a mídia é o maior poder em atividade no país. Mas a mediocridade generalizada não permite que esse poder seja exercido de forma positiva e construtiva. Por isso vemos uma máquina maravilhosa como a TV, sendo tratada como um triturador de lixo: focada na superficialidade, no ganho rápido, nos interesses comerciais.

Enquanto isso a cultura...

7. Você comentou que são vários os desdobramentos desse lançamento. Fale mais a respeito.

Além do livro tem um site, o www.brasileirospocoto.com.br, que por enquanto aponta para meu site pessoal, mas que vai ter seu próprio mundo em breve. Os textos tem sido lidos na rádio Nova Brasil, no Programa Nova Manhã, o que tem dado uma grande repercussão.

Como parte do lançamento, estamos programando um "circuito universitário" onde pretendo fazer a palestra BRASILEIROS POCOTÓ, que tem sido muito bem recebida.

8. O que você espera disso tudo?

Provocar reflexões e discussão sobre problemas que afligem o Brasil. E que acredito que tenham uma só raiz: atitude. Atitudes medíocres colocaram o Brasil nas dificuldades atuais e somente identificando-as, falando sobre elas e encontrando formas de neutralizá-las podemos esperar alguma saída.

9. Qual sua mensagem?

O MINISTÉRIO DA ATITUDE RECOMENDA: mediocridade faz mal à saúde.


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