Artigos

..."O menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos.
Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como sinal de que não desertamos nosso posto."

Erico Veríssimo

Em Abril de 2001 tirei um período de férias para realizar um sonho: percorrer a trilha que leva até o Acampamento Base do Monte Everest no Nepal. Ao retornar da viagem, achei que podia fazer muito mais do que simplesmente ser um alto executivo de multinacional. E decidi voltar a escrever sobre temas do cotidiano que me chamavam a atenção. Qualquer tema. Eu precisava me expressar. Eu queria falar, tocar no coração das pessoas, queria impactar suas vidas, inspirá-las! Mesmo sem ser um intelectual, sem diploma de doutor, eu achava que minha experiência de vida podia acrescentar algo às pessoas. Passei a remeter por e-mail uma crônica, toda sexta-feira, para um grupo de amigos que mantinha em meu cadastro. Eram 300 nomes em novembro de 2001. E em fevereiro de 2003 assisti uma apresentação do Funk Eguinha Pocotó em rede nacional do programa do Gugu no SBT. Como era possível que a então segunda maior rede de televisão do país, em horário nobre, servisse apenas para transmissão daquele tipo de – desculpem – “música”?

Indignado, escrevi um texto chamado “Eguinha Pocotó”. Nele eu dizia da minha perplexidade e tristeza de ver a televisão transformada numa lixeira, cujo conteúdo era diariamente jogado em minha sala de jantar. Publiquei o texto na internet e ele foi lido no programa Nova Manhã em rede nacional. O que aconteceu em seguida determinou o rumo das coisas. Minha caixa postal e a da rádio explodiram, com e-mails de pessoas tão ou mais indignadas do que eu. E descobri que os brasileiros queriam discutir e questionar a baixaria. Não estavam satisfeitos com ela. Eram a maioria silenciosa, refém de uma minoria que, antes da cidadania, da educação ou da cultura, coloca os interesses comerciais.
Por causa daquele texto, minha lista de 300 amigos pulou para 2.500 em uma semana. Os brasileiros queriam discutir o emburrecimento do país!

Hoje (Abril de 2010) são 125 mil cadastrados que recebem meus textos de sextas feiras, que são publicados em dezenas de sites, jornais e revistas.

Cada artigo é um toco de vela.

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